Pesquisar no Blog

Mostrando postagens com marcador Poemas e poesias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas e poesias. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

POEMA DO DESAMOR

Não são os teus olhos que os meus procuram
É a tua alma, a tua essência nua e crua
Não são os teus lábios que os meus procuram
São as palavras que gostaria de te ouvir dizer,
em cada beijo

Não são as tuas mãos que as minhas procuram
É o carinho que imagino dares-me cada vez que me tocas
Não é o teu sexo que o meu procura
É o prazer de te ver ter prazer

És tu que procuro sempre que busco
Mas não tens sido o que procuro

Os teus lábios selam-se
quando queres dizer-me que gostas de mim
Utilizas as mãos para tapar os olhos
e clamas ao teu sexo para não pedir o meu

Diz-me porque tens medo de viver...



Fonte: http://barmaiden.blogspot.com/

terça-feira, 1 de março de 2011

Aurora

O poeta ia bêbedo no bonde.
O dia nascia atrás dos quintais.
As pensões alegres dormiam tristíssimas.
As casas também iam bêbedas.

Tudo era irreparável.
Ninguém sabia que o mundo ia acabar
(apenas uma criança percebeu mas ficou calada),
que o mundo ia acabar às 7 e 45.
Últimos pensamentos! últimos telegramas!
José, que colocava pronomes,
Helena, que amava os homens,
Sebastião, que se arruinava,
Artur, que não dizia nada,
embarcam para a eternidade.

O poeta está bêbedo, mas
escuta um apelo na aurora:
Vamos todos dançar
entre o bonde e a árvore?

Entre o bonde e a árvore
dançai, meus irmãos!
Embora sem música
dançai, meus irmãos!
Os filhos estão nascendo
com tamanha espontaneidade.
Como é maravilhoso o amor
(o amor e outros produtos).
Dançai, meus irmãos!
A morte virá depois
como um sacramento.


Carlos Drummond de Andrade